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PIRATARIA TOMA CONTA DE MADUREIRA

Texto: Jéssica Braziel (3ºperíodo) / Foto: Thamires Araújo (3ºperíodo)
Um consumidor entra em uma loja para comprar um disco da sua banda favorita lançado recentemente, mas o CD está com um preço um tão caro que ele desiste da compra. A poucos metros, na calçada da própria loja, um camelô vende o mesmo disco há semanas. A um preço muito inferior, o consumidor, curioso em conhecer o novo CD, compra do camelô e leva para casa.
Essa é uma situação comum na vida de muitas pessoas, porém, comprar um CD ou um DVD pirata pode prejudicar o aparelho e ajuda, de uma forma indireta, a financiar o crime organizado, incluindo, segundo fontes policiais, o tráfico de drogas.
Em diversos pontos de Madureira ambulantes comercializam CDs e DVDs falsificados. Para o técnico de informática Isaías Ignácio, 27 anos, comprar produto pirateado faz parte do seu cotidiano. "Os produtos originais são excessivamente caros e prejudicam o bolso de qualquer trabalhador", argumenta.
Um camelô que não quis se identificar conta que, para muitos, a venda desses produtos é o sustendo da família. ”Quando a guarda municipal vem e apreende todo nosso material fica muito difícil, queremos apenas trabalhar”, diz o jovem, que trabalha há 6 anos com material pirateado.
Um dos gerentes de uma loja de produtos originais, que também não quis ser identificado, acredita que a pirataria vai crescer. "Esse comércio só tende a aumentar. A população está sem dinheiro, então fica mais fácil para todo mundo. Ter o que o rico tem - não falo só de CD e DVD - falo de roupas, tênis e muitas coisas mais, é fácil hoje em dia”, afirma o gerente, que trabalha com produtos originais há mais de 10 anos.
Segundo dados do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual, 42% dos brasileiros já consumiram algum tipo de produto pirata. Todo esse consumo ilegal custa aos cofres brasileiros um rombo assustador de R$ 30 bilhões por ano, apenas em isenção de impostos pagos ao governo.

REPORTAGEM DO JILÓ FLAGRA PIRATARIA NAS RUAS DE MADUREIRA

Fotos Patrícia Oliveira


Texto: Patrícia Oliveira e Letícia Motta - Técnicas de Reportagem - EQUIPE RUBI

A equipe de reportagem do JILÓ PRESS percorreu as ruas de Madureira para verificar como trabalham os vendedores ambulantes que comercializam DVD´s piratas no bairro. Sem saber que estava sendo fotografado e gravado, o camelô, que se identificou como Max, disse que vende muito e que seus produtos são de boa qualidade. “A gravação não é de cinema e sim da internet, que é limpinha”. Ele afirmou que não tem problema com a fiscalização, já que os guardas quase não aparecem. Para tentar vender uma cópia para nossa equipe, Max informou um detalhe muito curioso do filme Operação Valquiria: “Foi aquele filme que o Tom Cruise veio gravar no Brasil!” Percebendo nosso espanto, ele continuou: “Vocês não lembram que o Tom Cruise veio ao Brasil?”, indagou.
Encontramos um guarda municipal a uma distância inferior a duzentos metros do vendedor ambulante. Nos identificamos e falamos sobre a matéria da pirataria em Madureira. Ele aceitou falar com a condição de não ser identificado. Ele disse que trabalha na região há mais de três anos e que a fiscalização faz o papel dela. Justificou que a grande presença de camelôs com DVD´s piratas naquele momento era pela falta de um efetivo maior de agentes, já que alguns foram deslocados para o Maracanã – onde aconteceria um jogo naquela noite.
Somente em janeiro mais de 130 mil produtos falsificados foram apreendidos em Madureira. Durante uma operação da DRCPIM (Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial), no mês de fevereiro, mais de 180 mil mercadorias falsificadas foram recolhidas das lojas do Mercadão. No camelódromo foram apreendidos mais de 5 mil DVD´s piratas.