Texto e fotos: Débora Fernandes - Técnicas de Reportagem - EQUIPE ÔNIX
A Quinta da Boa Vista, localizada no bairro de São Cristovão, no subúrbio do Rio, é uma das maiores áreas de lazer da cidade. Em seus aproximadamente 600 mil m² estão o Palácio de São Cristovão, onde funciona o Museu e o Jardim Zoológico, atraindo estudantes e crianças de todas as idades; além dos lagos, grutas e recantos espalhados por todo parque. O lugar seria perfeito para passear com a família no final de semana se não fosse o mal estado de conservação que se encontra o parque, somado à falta de segurança.
Em visita ao parque, a reportagem do JILÓ PRESS flagrou problemas no local, como bancos quebrados, lixo no chão e nos lagos, banheiros quebrados e abandonados, lagos poluído pela falta de tratamento da água, sem falar no mau cheiro, oriundo de fezes e urina, por todo o parque, principalmente perto das grutas.
Frequentadora da Quinta da Boa Vista, Márcia Valeria Vieira, 42 anos, sempre leva suas filhas, Manoela Victoria, de 7 anos, e Milena Victoria, de 5, para visitar o zoológico e andar de canoa. O passeio sempre termina com um lanche em meio a bela paisagem do parque. Márcio, contudo, reclamou bastante das condições em que se encontra o lugar, priuncipalmente quanto a falta de segurança. “A Quinta sempre foi um lugar perigoso, mas, de uns tempos para cá parece que piorou. Sempre escuto alguém comentando que foi ou viu uma pessoa que foi assaltada. Eu graças a Deus, nunca fui. Mas sempre fico muito atenta e quando venho não trago nada de valor. Deixo relógio, cordão, celular, tudo em casa. Agora, o que esta ruim mesmo aqui são os banheiros. Não tem papel e a descarga esta quebrada. O cheiro é horrível”, denuncia.
POLÍCIA - Durante o tempo em que a reportagem permaneceu na Quinta, em nenhum momento foi constatada a presença da Polícia Militar, somente alguns guardas municipais. Um deles disse que assaltos são freqüentes no parque, e geralmente ocorrem através de intimidação à pessoa, que fica com medo e acaba perdendo, na maioria das vezes, carteira e celular. Assalto a mão armada não é muito comum. E os casais são os mais assaltados por ficarem distraídos, facilitando a aproximação do delinquente.
Os guardas municipais não têm a função de reprimir o crime, amparados pelo artigo 144, inciso 8º, da Constituição Federal, que diz que a Guarda Municipal tem o dever de zelar pelo patrimônio público, não sendo responsável por salvar vidas, sendo a Polícia Militaro responsável pelo policiamento ostensivo.
Segundo o guarda municipal, durante a semana uma patrulhada da PM faz a ronda em toda a extensão do parque mas, nos finais de semana, quando mais se precisa, eles estão de folga ou são remanejados para outros lugares. O guarda aconselhou a reportagem do JILÓ a ter cuidado com a câmera digital em pontos desertos da Quinta.
Apesar da má conservação e da falta de segurança, o parque continua recebendo muitos frequentadores, que vão com suas famílias ou em grupos passar o dia em um dos maiores patrimônios histórico da nossa cidade.
Mostrando postagens com marcador Segurança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Segurança. Mostrar todas as postagens
0 Comments
Postado por
Marcos Benjamin ,
Marcadores:
EQUIPE ESMERALDA
,
EQUIPE ÔNIX
,
Honório Gurgel
,
polícia
,
Segurança
,
Zona norte
,
terça-feira, 10 de março de 2009
21:27
COBERTURA ESPECIAL - JILÓ PRESS - SEGURANÇA PÚBLICA
Texto e fotos: Débora Fernandes - EQUIPE ÔNIX / e Andrea Loureiro - EQUIPE ESMERALDA
Depois de ser assaltado quatro vezes, o padre Marcos Paulo (com microfone, 3ª foto), da Paróquia de Santa Luzia, em Honório Gurgel, meteu a boca no trombone para reclamar da falta de segurança: chamou a polícia, convocou autoridades e moradores da região para debater o problema. O encontro aconteceu na noite desta terça-feira (10/03), no salão de eventos da paróquia, onde foi promovido um debate sobre segurança pública. A reunião contou com a presença do vereador Reimont, Tião do Viva Rio, e do comandante do 9ºBPM (Rocha Miranda), coronel Batalha (na foto, de uniforme).
O padre aproveitou o tema da Campanha da Fraternidade deste ano para tentar amenizar os problemas de segurança existentes. “Não dá pra continuar com esse clima de medo e insegurança que ronda o nosso bairro, não me sinto tranquilo andando pelas ruas depois de uma certa hora”, desabafou o padre Marcos Paulo, que já foi assaltado quatro vezes próximo a paróquia onde celebra suas missas.
O objetivo do debate foi conhecer melhor os problemas do bairro de Honório Gurgel e adjacências e, junto com as autoridades, encontrar soluções para os problemas de segurança. “A violência tem aumentado muito no bairro. Na semana passada mesmo colocaram fogo em um ônibus na esquina da minha casa”, denunciou Ana Lúcia, 52 anos, moradora do local. Ela se referia a um ônibus que foi incendiado na rua Ururaí, domingo passado, depois que a polícia matou dois traficantes da favela conhecida como Mundial.
COMANDANTE RECONHECE DIFICULDADES DE POLICIAR A REGIÃO E APRESENTA O PROJETO DE CRIAÇÃO DO 40º BATALHÃO (CEASA)
O comandante do 9º BPM iníciou o debate falando sobre a dificuldade de reduzir o índice de violência na região. O 9º batalhão é composto de 1.400 homens, e é responsável pelo patrulhamento de 25 bairros, abrangendo cerca de 80Km de área. A circunscrição é grande para o contingente de sua corporação que, em fevereiro, perdeu dois policiais em troca de tiros com bandidos: um no morro do Chapadão e, o segundo, em Oswaldo Cruz.
Batalha apresentou à comunidade o croqui de um projeto que ainda está no papel (reprodução acima): a criação do 40º batalhão, que será construído dentro do Ceasa, em Irajá. Esse novo batalhão ajudaria a suprir a demanda de policiamento para dar mais segurança à população. “A polícia tem uma parcela de culpa pela violência que atinge a sociedade, mas vale lembrar que a sociedade é formada pelas nossas famílias e, por isso, também precisamos cooperar”, pediu o comandante.
O coronel Batalha frisou que o problema da violência não pode ser combatido apenas pela polícia, mas, também, com a educação. “Não é só com polícia que vamos resolver esse problema, isso tem a ver com educação, que deve vir de casa e ser aplicada no dia-a-dia”. O vereador Reimont concordou sobre a importância da educação. “Para que a segurança pública e qualquer outro setor possa evoluir é necessário que se invista rigorosamente na educação”, defendeu.
Moradora e integrante da comunidade da Igreja de Santa Luzia, Lucineide Andrade da Silva reivindicou providências imediatas. “Queremos segurança agora, não para depois, quando a casa cair”, cobrou do coronel Batalha. Já a dona-de-casa Eliete Cesário, 66 anos, que mora em Honório Gurgel desde que nasceu – não demonstrou o mesmo otimismo: “Não acredito que alguma providência será tomada aqui no bairro e nem nas adjacências, eles prometem que vão fazer algo e nunca fazem, eu não acredito mais”, afirmou, desanimada.
Batalha encerrou o debate convidando a todos para o café da manhã comunitário, que acontece toda primeira segunda-feira de cada mês no 9º BPM, onde a comunidade pode discutir sobre os problemas que acontecem na região.
Assinar:
Postagens (Atom)