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JORNALISTAS FAZEM NOVA MANIFESTAÇÃO PELA OBRIGATORIEDADE DO DIPLOMA PARA EXERCER A PROFISSÃO

Texto e foto: Fabrício Caseira - Técnicas de Reportagem - 4º período - EQUIBE RUBI


Vinte a quatro horas depois de irem às ruas protestar contra a decisão do Superior Tribunal Federal, que derrubou a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista, dezenas de estudantes de jornalismo de diversas universidades do Rio, pais de alunos e jornalistas profissionais fizeram nova manifestação nesta terça-feira (23/06), na frente da Fundação Getúlio Vargas, em Botafogo, onde o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, dava uma palestra para estudantes de direito. Os manifestantes gritavam “fora Gilmar” e “respeitem o jornalismo”. O protesto começou, às 17h e terminou às 19h40. Cartazes, cornetas e até um megafone foram utilizados.
O jornalista formado Ricardo Souza, 33 anos, estava revoltado com a decisão do STF. “É um absurdo o que esse 'cara' fez. Pelo amor de Deus, é uma burrice acabar com o diploma de jornalismo. Para ser jornalista é necessário ter todo conteúdo técnico e teórico. Depois, pessoas que não têm diploma começam a escrever um monte de bobagem. A galerinha do congresso vai detestar. Eles estão brincando com a própria sorte. Vamos continuar com os nossos protestos até essa decisão ridícula acabar. Só posso resumir em duas palavras: vergonha nacional”, disparou Ricardo, formado pela Veiga de Almeida.

TV JILÓ: VEJA IMAGENS EXCLUSIVAS DA MANIFESTAÇÃO PRÓ DIPLOMA

"JORNALISTAS UNIDOS, JAMAIS SERÃO VENCIDOS"


Por Andrezza Henriques (6º Período); Robson Rodrigues (4º Período) e Rafael Ramos (6º Período) / Fotos e vídeo (TV JILÓ): Robson Rodrigues

“Gilmar Mendes não escuta a voz que clama na rua / De um povo já cansado de ver tanta falcatrua / Mas ainda se espanta e não quer um Gilmar Dantas / Sem respeito por quem sua”

O cordel escrito pelo jornalista Admar Branco, professor de revisão e copydesk da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), retrata o sentimento que uniu cerca de 200 pessoas vestidas de preto, na manhã dessa segunda-feira (22), em protesto contra a decisão do Supremo Tribunal Federal que tornou não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão, na última quarta-feira (17). Estudantes, professores, pais de alunos e jornalista profissionais percorreram as ruas do centro com canudos de papel nas mãos, simbolizando o diploma. A marcha contra o STF partiu da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), com destino a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
A repórter da rádio Band News FM, Solange Diniz, deixou a ABI com um megafone entoando gritos de revolta e protesto como “Jornalista sem diploma: nosso país em coma”, “Não é mole não, o meu diploma virou pano de chão”, “Aço, aço, aço, jornalista não é palhaço”, “Ada, ada, ada, Gilmar Mendes (presidente do TSF) é piada”, “Não é mole não, jornalista não é cozinheiro não”, “Ao, ao, ao diploma é obrigação” e “Jornalistas unidos jamais serão vencidos”.

O presidente da Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro (ARFOC) , Alberto Jacob Filho, estava vestido de cozinheiro em alusão à comparação feita pelo ministro Gilmar Mendes. “Nós estamos aqui dando início a um movimento para regulamentar a profissão de todos os trabalhadores que vão passar pelo mesmo processo que estamos passando. Não vai ser o Gilmar Mendes, escravocrata, como disse o ministro Joaquim Barbosa, que vai nos transformar em escravos de sua fazenda. Vamos juntar as nossas forças rumo à Brasília e iniciar esse processo para estabelecer a dignidade das nossas profissões”.

Até mesmo quem não é jornalista estava presente na manifestação. Sebastião Baptista, 64 anos, (depoimento no vídeo acima) estava representando sua filha, Graziela Cataldo Baptista, jornalista há 5 anos, formada pela Universidade Estácio de Sá, campus Rebouças e mestre em Comunicação pela UERJ. Graziela é formada na mesma turma em que o coordenador líder do curso de Comunicação Social do Rio, professor José Laranjo, fez o seu mestrado. Ele estava indignado com o “ato de terrorismo” feito pelo STF e estava com uma placa presa ao peito em que dizia: “E agora, jornalista vai enfiar o diploma aonde?”

A estudante da FACHA, Isabela Guedes, de 27 anos, levou para o protesto um rolo de papel higiênico, para demonstrar a nova “utilidade” do diploma de jornalismo. “Essa é a forma com que a sociedade civil vê o diploma, como papel higiênico”, disse a estudante, mostrando o rolo de papel na mão.

Profissionais respeitados no mercado de trabalho também marcaram presença no protesto, como a atual diretora de Relações Internacionais da Federação Nacional dos Jornalista (FENAJ), jortalista Beth Costa, que estava incrédula com o retrocesso que essa decisão causa ao Jornalismo. “O STF se mostrou despreparado para a questão. O juiz Aeres Brito disse que a profissão do jornalista tem mais artes e literatura do que técnica. Isso é um absurdo. Só podem ter o interesse de grandes empresas, democratizando a contratação. Assim, eles podem contratar quem eles querem e não pessoas qualificadas”, desabafou Beth.

Representantes de sindicatos estiveram presentes para dar seu apoio à marcha, como Sônia Regina da Silva, diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio, que resumiu sua opinião com a seguinte frase: “Isso é uma decadência da informação. A sociedade como um todo perde. O vice-presidente do Sindicato de Jornalistas, Rogério Marques, também marcou presença na manifestação e elogiou a melhoria que o jornalismo teve com a instituição do diploma, que poderia ser afetada com essa decisão. “O Sindicato entende que essa posição foi um desastre não apenas para os jornalistas, mas para toda a sociedade. Até as décadas de 60 e 70 existiam jornais da chamada 'imprensa marrom', que eram dedicados a escândalos, o que não é importante para a sociedade. Estamos unidos com a FENAJ, à ABI e sindicatos do Brasil inteiro para reverter essa decisão do Supremo”.

ORKUT - As organizadoras do protesto foram as alunas Marcele Correa, estudante da Estácio de Niterói e Lívia Lamblet, 25 anos, estudante da FACHA. Elas procuraram no site de relacionamento Orkut, comunidades relacionadas ao jornalismo e foram adicionando recados indignados com a decisão do STF. Com a resposta e o interesse das pessoas foi criado uma comunidade chamada “Diploma de Jornalismo: Sim”, e com essa criação foi dada a idéia do protesto. “Esta manifestação está acontecendo não só no Rio de Janeiro, mas também em São Paulo, Brasília, Teresina e Caxias do Sul. Entramos em contato com a ABI e com o sindicato do jornalista para nos ajudar na organização. Todos nós precisamos correr atrás de nossos direitos. Isso foi uma ofensa para todos nós.”, disse Lívia Lamblet.

Alunos de outras instituições de ensino como UFF, FACHA, UNIRIO E Veiga de Almeida também estiveram presente na luta contra a desvalorização do jornalista. Marcaram presença na cobertura da manifestação além do Jiló Press, a Rede TV, A Tv Justiça, a Rádio CBN, a Tv MEC e a RadioBras.

Participaram da cobertura do Jiló Press: Jéssica Braziel (3º Período); Victor Chrisostomo (3º Período); Tais Guimarães (3º Período); Enderson dos Santos (6º Período); Aline Bastos (6º Período) e Bernardo Moura (7º Período)

MANIFESTAÇÃO DE PROTESTO CONTRA DECISÃO DO STF QUE EXTINGUIU O DIPLOMA PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE JORNALISTA

A Agência de Notícias Zunido e a Rede Jiló Press de Comunicação Multimídia convocam seus estudantes repórteres, editores, professores, jornalistas, publicitários, colaboradores, moradores da Zona Norte e representantes da sociedade civil a participarem da manifestação de protesto no Rio de Janeiro contra a decisão do STF, que extinguiu a obrigatoriedade do diploma universitário para exercício da profissão.

DATA: 22/06/2009
HORÁRIO: 10h
CONCENTRAÇÃO: ABI (Rua Araújo Porto Alegre, 71 - Rio de Janeiro-RJ).

+ Usar traje preto, levar um canudo simulando diploma, cartazes.
O movimento vai andar da ABI até o Palácio Tiradentes. DIVULGUE PARA SEUS AMIGOS JORNALISTAS! Jornalista sem diploma é igual país em coma.

STF DERRUBA DIPLOMA DE JORNALISTA

EDITORIAL
NOTA DE REPÚDIO À DECISÃO DO STF, EM NOME DO DIPLOMA DE JORNALISTA
Em nome dos estudantes de Jornalismo que produzem o Jiló Press, e em respeito aos professores jornalistas e aos profissionais que trabalham na profissão; profissionais que passaram pela universidade e conquistaram - com legitimidade - o Diploma de jornalista; a Agência de Notícias Zunido e a Rede de Comunicação Multimídia Jiló Press, do laboratório de Mídia Impressa do campus Madureira - REPUDIAM, veementemente - a decisão do STF de derrubar a exigência do Diploma de Jornalismo para o exercício da profissão.
Nós entendemos que o diploma do curso de Comunicação Social é uma conquista não apenas da categoria profissional mas, também, e principalmente, da sociedade brasileira. O Diploma dignifica, legitima e garante a prática profissional de um jornalismo ético, técnico, crítico e de qualidade.
A extinção do Diploma de Jornalista é o resultado de interesses comerciais de grandes grupos de comunicação que, nesse momento, trocam a excelência da formação profissional pela ganância e interesses comerciais escusos em detrimento aos interesses da Nação.
Segue, abaixo, matéria veiculada no site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) sobre
o episódio.
Ricardo França
Editor-chefe Jiló Press

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STF derruba exigência do diploma para o exercício do Jornalismo
(FONTE: FENAJ)

Em julgamento realizado nesta quarta-feira (17/06), o Supremo Tribunal Federal deu provimento ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Neste julgamento histórico, o STF pôs fim a uma conquista de 40 anos dos jornalistas e da sociedade brasileira, tornando não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão.
A executiva da FENAJ se reúne nesta quinta-feira para avaliar o resultado e traçar novas estratégias da luta pela qualificação do Jornalismo.Representantes da FENAJ e dos Sindicatos dos Jornalistas do RS, PR, SP, MG, Município do RJ, CE e AM acompanharam a sessão em Brasília.
O presidente da Comissão de Especialistas do Ministério da Educação sobre a revisão das diretrizes curriculares, José Marques de Melo, também esteve presente. Do lado de fora do prédio - onde desta vez não foram colocadas grades - houve uma manifestação silenciosa. Em diversos estados realizaram-se atos públicos e vigílias.
Às 15h29 desta quarta-feira o presidente do STF e relator do Recurso Extraordinário RE 511961, ministro Gilmar Mendes, apresentou o conteúdo do processo encaminhado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo e Ministério Público Federal contra a União e tendo a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo como partes interessadas.
Após a manifestação dos representantes do Sindicato patronal e da Procuradoria Geral da República contra o diploma, e dos representantes das entidades dos trabalhadores (FENAJ e SJSP) e da Advocacia Geral da União, houve um intervalo.No reinício dos trabalhos em plenário, às 17h05, o ministro Gilmar Mendes apresentou seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do Jornalismo.
Em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Dos 9 ministros presentes, sete acompanharam o voto do relator.
O ministro Marco Aurélio votou favoravelmente à manutenção do diploma.“O relatório do ministro Gilmar Mendes é uma expressão das posições patronais e entrega às empresas de comunicação a definição do acesso à profissão de jornalista”, reagiu o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. “Este é um duro golpe à qualidade da informação jornalística e à organização de nossa categoria, mas nem o jornalismo nem o nosso movimento sindical vão acabar, pois temos muito a fazer em defesa do direito da sociedade à informação”, complementou, informando que a executiva da FENAJ reúne-se nesta quinta-feira, às 13 horas, para traçar novas estratégias de luta.
Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e integrante da coordenação da Campanha em Defesa do Diploma, também considerou a decisão do STF um retrocesso. “Mas mesmo na ditadura demos mostras de resistência. Perdemos uma batalha, mas a luta pela qualidade da informação continua”, disse. Ela lembra que, nas diversas atividades da campanha nas ruas as pessoas manifestavam surpresa e indignação com o questionamento da exigência do diploma para o exercício da profissão. “A sociedade já disse, inclusive em pesquisas, que o diploma é necessário, só o STF não reconheceu isso”, proclamou.
Além de prosseguir com o movimento pela qualificação da formação em jornalismo, a luta pela democratização da comunicação, por atualizações da regulamentação profissional dos jornalistas e mesmo em defesa do diploma serão intensificadas.