
Por Ricardo França (Editor-chefe Jiló Press) / Foto: Divulgação EXTRA
O editor do blog parceiro do Jiló Press, 'Notícias do Subúrbio', professor Fernando Torres, que ministra a disciplina de Redação IV no campus Madureira, recebeu Moção da Câmara dos Vereadores do Rio, na noite desta segunda-feira (1/06), por seu trabalho como repórter do jornal EXTRA, ao lado do boneco João Buracão. A comenda foi dada pelo vereador Fernando Moraes (PR), que também concedeu Moção de Congratulação ao editor-chefe do Extra, Octávio Guedes; à editoria-executiva, Denise Ribeiro; ao editor de Geral, Fábio Gusmão, e ao borracheiro Irandi Pereira da Rocha, criador do boneco João Buracão.
Vídeo: Guto Nascimento, 17 anos, repórter comunitário - Bento Ribeiro / Edição: Rodrigo Aquino (3º período)
Por Andrezza Henriques (6º período); Rodrigo Aquino (3º período) e Yáskara Paz (6º período)
"Não sou comprometido. Esse trabalho é muito desgastante e exige muito da minha vida. Estou gostando de beijar bocas diferentes em vários buracos." Com esta filosofia de vida, ele ajudou a fechar, por conta de seu idealismo e insistência, mais de 10 mil buracos em diversas cidades do Rio. Por conta disso enfrentou poderosos, foi sequestrado, espancado, torturado e humilhado. Mas não perdeu o foco. Pelo contrário. O martírio e a injustiça lhe renderam mais forças. Continuou a sua luta denunciando o descaso das autoridades públicas. Fez greve de fome. Ganhou o apoio do povo. Foi recebido por prefeitos. Ganhou fama. Viajou o Brasil a trabalho: tapando buracos depois das pescarias. Ensinou cidadania às crianças. Ganhou respeito dos mais velhos e virou personagem de novela.
Esse cara é o João Buracão, nascido e criado na Zona Norte do Rio, terra do Jiló. João Buracão é carioca, suburbano, brasileiro, cidadão. Coração de espuma e alma de gente. De gente como a gente. Gente boa. Com muita simpatia - sua marca pessoal - recebeu a reportagem do Jiló durante visita técnica à redação do EXTRA, na tarde de ontem, e concedeu esta entrevista exclusiva aos repórteres do blog.
JILÓ PRESS - Avalie a situação dos buracos na Zona Norte. Eles estão te dando muito trabalho?
BURACÃO - As zonas Norte e Oeste são as mais esburacadas do Rio de Janeiro. Os bairro de Madureira, Guadalupe, Deodoro, Marechal Hermes, onde eu nasci, e Campo Grande precisam muito da atenção do poder público. O pessoal rala pra caramba e compra um carro, mas sofre para conseguir andar pelas ruas, cheias de crateras.
JILÓ PRESS - Como é trabalhar com a equipe do EXTRA, especialmente o seu amigo, o repórter 3G, Fernando Torres?
BURACÃO - O Fernando é o cara que me descobriu. Fazemos uma ótima parceria. Ajudamos muito um ao outro. Se ele não tivesse feito a reportagem em Marechal, certamente eu não poderia ajudar à população de outros lugares. Agora, o Brasil inteiro me conhece, pois denuncio buracos no país todo. Toda a galera do Extra é legal comigo. Também gosto muito do motorista Carlos Costa, que sempre me dá umas caronas para as crateras.
JILÓ PRESS - Qual foi o buraco que lhe deu mais trabalho para fechar?
BURACÃO -Os buracos mais difíceis de fechar são os de São Gonçalo. A prefeita Aparecida Panisset demora muito para atender aos pedidos da comunidade. No início, era quase impossível, mas, de tanto eu pressionar, ela começou a melhorar algumas ruas.
JILÓ PRESS - Como é lidar, em seu trabalho, no dia a dia, com as crianças?
BURACÃO - Minha aproximação com as crianças é uma grata surpresa, pois elas não dirigem e, logo, não sentem no volante o poder de um buraco. Mesmo assim, elas reconhecem que estou aqui para ajudar a todo mundo: crianças, adultos, idosos... Acho que o meu rosto também me ajuda. As crianças gostam de bonecos coloridos.
JILÓ PRESS - Você tem ambições políticas?
BURACÃO - De jeito nenhum. Já fui eleito pelo povo como seu representante. Não preciso de um cargo para contribuir com meu esforço.
JILÓ PRESS - Quantos buracos você fechou até agora (estimativa), de quantos bairros aproximadamente?
BURACÃO - Com influência direta, ou seja, visitando, ajudei a tapar mais de 100 buracos. Indiretamente, este número já passou de 10 mil, pois levei as prefeituras a investimentos maiores na área de pavimentação e conservação das ruas.
JILÓ PRESS - Por conta de sua estreia na tela, em horário nobre, na novela Caminhos das Índias, há alguma ambição de ingressar na carreira artística?
BURACÃO - O convite da Glória Perez surgiu em função do trabalho que faço na vida real. Assim, vou ajudar a tapar buraco até na ficção. Acho que vou entrar no cenário da Lapa e gravar perto da Selminha (Dira Paes), que é uma mulher sensacional. Não tenho aspirações artísticas, mas gostaria de visitar o maior buraco do mundo (Big Hole), na África do Sul.
JILÓ PRESS - Como você lida com a fama? Quando você fechou buraco número um esperava tanta repercussão?
BURACÃO - A fama que vem do trabalho é sempre bem-vinda. Sou tranquilo. Sei que, qualquer dia, ela pode acabar. Meu objetivo é ajudar. Já fiz muito e quero fazer mais. Enquanto a população me chamar, estarei pronto para denunciar buracos.
JILÓ PRESS -Você tem medo de morrer por conta de suas denúncias?
BURACÃO - Já fui até sequestrado, mas não tenho medo. Se alguém pensar em fazer alguma coisa comigo, deve saber que estará provocando milhões de pessoas do Brasil inteiro. Não estou sozinho nesta batalha por ruas mais dignas. O EXTRA e o povo estão comigo.
JILÓ PRESS - Por conta de seu trabalho, você, hoje, é respeitado e admirado.E aí vai uma pergunta de uma fã que não quis se identificar.Você já é comprometido?
BURACÃO - Não sou comprometido. Já fiquei com algumas bonecas e não quero namorar, por enquanto. Esse trabalho é muito desgastante e exige muito da minha vida. Estou gostando de beijar bocas diferentes em vários buracos.
JILÓ PRESS - Qual é o seu grande sonho?
BURACÃO - Acabar com o descaso público frente à enorme quantidade de ruas esburacadas por todo o Brasil.
Texto: Andrezza Henriques (6º período) Estagiária Mídia Impressa e Rodrigo Aquino (3º período) Mídia Impressa / Fotos: Guto Nascimento - Repórter Comunitário
COM UM PÉ NO MERCADO
A reportagem da estudante Elaine Neves (foto) e Victor Chrisostomo, alunos da disciplina de Técnicas de Reportagem (manhã), da equipe ESMERALDA, campus Madureira, foi publicada nesta terça-feira no blog 'De Lan em Lan', que faz parte da blogsfera do jornal EXTRA. A dupla compõe o time de repórteres do Jiló Press. Clique aqui para acessar: Lan houses dominam a Zona Norte
Profissionais do futuro
A notícia vista pelos jovens
Alunos de escolas públicas da Zona Norte aprendem os segredos do jornalismo e se tornam repórteres comunitários
Clarissa Monteagudo
Clarissa.monteagudo@extra.inf.br
Eles já entrevistaram Rodrigo Lombardi, O Raj, galã do momento da novela “Caminho das Índias”, editam um jornal, conhecem a linguagem de rádio, planejam o lançamento de um blog e compõem raps. Donos de experiências profissionais variadas, os repórteres desse grupo não são jornalistas profissionais. Ainda. Eles nem atingiram os 18 anos, mas brincam que vão “conquistar o mundo”.
Curso em três partes
Busca por qualidade
-Eles são motivados. Na aula sobre entrevistas, você os via com olhos brilhando. O retorno é maravilhoso. Não tem preço.
‘O curso caiu do céu na minha vida. Não acreditei ’
Pedro Cruz, 17 anos, estudante
O curso caiu do céu na minha vida. Não acreditei. Sonhava ser apresentador de TV, mas já pensava em fazer pedagogia. Fiz o módulo de mídia impressa e me apaixonei. Quero lançar um blog voltado para os jovens estudantes. As pessoas têm uma idéia errada sobre o que o jovem gosta. Não queremos superficialidades.
Olho vivo no dia a dia da comunidade
O terceiro módulo do projeto Repórter Comunitário, sobre TV, vai ser iniciado amanhã. É a universidade vai manter o programa, abrindo novas turmas. Quem concluiu dois módulos já aprendeu o gostinho de uma reportagem exclusiva. Pedro Cruz entrevistou Xuxa para o Jiló Press, o blog multimídia da Agência de Notícias Zunido, gerenciada pelos alunos da universidade. – Descobri que quero trabalhar em jornal. Adoro mídia impressa. – diz Pedro.
O foco do blog é a Zona Norte. Nada que acontece na região escapa ao olhar atento dos repórteres do Jiló.
Foco no bairro
-Chegamos às 4h da manhã para cobrir a Alvorada de São Jorge. Se acontece algo no shopping, estamos atentos. No campus, o pessoal já nos conhece. Dizem: ”lá vem o Jiló.” – conta Andrezza Henriques, de 21 anos, estudante do 6º período.
