JILÓ DENÚNCIA
Texto: Débora Fernandes e Rosana Fleury - Técnicas de Reportagem - Equipe Ônix / Foto: Débora Fernandes
Não é de hoje que a milícia vem crescendo e tomando conta da cidade. Esse poder paralelo que vende segurança, serviços clandestinos e controla a vida dos moradores, há pouco mais de um ano dominou o bairro de Quintino, na Zona Norte do Rio.
Um grupo armado que age paralelamente à polícia e se intitula como Associação de Moradores da Caixa d’Água, está atuando em Quintino, controlando o comércio e interferindo no cotidiano dos moradores do bairro, chegando a controlar o horário de chegada e saída dos moradores, que perderam a sua privacidade.
TRIBUNAL - Esse grupo, formado por policias e ex-policias, anda pelas ruas do bairro à paisana e, nessa ronda diária, eles observam a movimentação no bairro, mantendo assim o controle permanente da área. Quando alguma regra imposta pela milícia é descumprida eles tratam de tomar providências e, quando julgam ser necessário, chegam a matar.
CONTROLE - Nas regras impostas pelos milicianos no bairro, os moradores podem escutar funk, mas as músicas que fazem apologia ao tráfico estão proibidas. Se algum morador for fazer uma festa onde receberão muitos convidados, a milícia pede para ser avisada. O controle sobre viciados de drogas é total, como conta um morador do bairro, que pediu para não ser identificado com medo de represálias. “A milícia aqui manda mesmo. É ruim alguém bater de frente, porque se forem contrariados eles esculacham. Não tem muito tempo morreu um moleque com vários tiros no rosto que estava usando maconha em uma rua próximo ao morro da Caixa d’Água. Não pode dar mole”, denuncia.
CARNÊ - É implantando essa política do terror que a milícia domina a região, sobrevivendo da venda de serviços clandestinos como Tvs por assinatura e o famoso gatonet. É cobrado dos moradores uma taxa de segurança no valor de R$ 15,00, que são obrigados a pagar, via carnê mensal.
EXECUÇÃO - Os comerciantes são os que mais sofrem com a extorsão das milícias. Eles pagam uma taxa que varia de R$ 25,00 a R$ 100,00, dependendo da localização e do tamanho do comércio. Os comércios localizados na rua Clarimundo de Melo, uma das ruas mais movimentadas do bairro, pagam as taxas mais altas. Segundo moradores, um homem ficou um mês se recusando a pagar a taxa de segurança imposta pela milícia. Quando viram que o homem não ia pagar mataram a tiros o filho dele, quando voltava do trabalho.
Vários moradores já denunciaram, anonimamente, o abuso e a ousadia dos milicianos a policiais da 28ª DP (Campinho), que tem Carlos Henrique Machado como delegado-titular. Eles aguardam uma atitude das autoridades, que já começaram a atuar na área, numa operação realizada dia 28 de Maio, quinta-feira, no Morro do 18, que resultou na prisão de 16 homens ligados à milícia. Na ação, a polícia apreendeu armas e munição. O grupo é considerado um dos mais fortes do Rio e usava o Morro do 18 como sede. Com as prisões, a polícia acredita que a milícia vai perder a força na região.
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quinta-feira, 26 de março de 2009
16:19
Texto: Rodrigo Aquino (3º período) - Téc. de Reportagem - EQUIPE ONIX e Talita Paranhos (2º período) - Colaboradora Mídia Impressa
Fotos: Rodrigo Aquino
Nesta tarde (26/03), agentes do Detro em conjunto com a Guarda Municipal e a Polícia Militar, estavam na Estrada do Portela, 222, em frente ao Madureira Shopping, fazendo uma blitz para combater o transporte irregular de passageiros das kombis.
Os veículos apreendidos foram levados para o depósito público e a operação foi coordenada pelo Governo do Estado.
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terça-feira, 10 de março de 2009
21:27
COBERTURA ESPECIAL - JILÓ PRESS - SEGURANÇA PÚBLICA
Texto e fotos: Débora Fernandes - EQUIPE ÔNIX / e Andrea Loureiro - EQUIPE ESMERALDA
Depois de ser assaltado quatro vezes, o padre Marcos Paulo (com microfone, 3ª foto), da Paróquia de Santa Luzia, em Honório Gurgel, meteu a boca no trombone para reclamar da falta de segurança: chamou a polícia, convocou autoridades e moradores da região para debater o problema. O encontro aconteceu na noite desta terça-feira (10/03), no salão de eventos da paróquia, onde foi promovido um debate sobre segurança pública. A reunião contou com a presença do vereador Reimont, Tião do Viva Rio, e do comandante do 9ºBPM (Rocha Miranda), coronel Batalha (na foto, de uniforme).
O padre aproveitou o tema da Campanha da Fraternidade deste ano para tentar amenizar os problemas de segurança existentes. “Não dá pra continuar com esse clima de medo e insegurança que ronda o nosso bairro, não me sinto tranquilo andando pelas ruas depois de uma certa hora”, desabafou o padre Marcos Paulo, que já foi assaltado quatro vezes próximo a paróquia onde celebra suas missas.
O objetivo do debate foi conhecer melhor os problemas do bairro de Honório Gurgel e adjacências e, junto com as autoridades, encontrar soluções para os problemas de segurança. “A violência tem aumentado muito no bairro. Na semana passada mesmo colocaram fogo em um ônibus na esquina da minha casa”, denunciou Ana Lúcia, 52 anos, moradora do local. Ela se referia a um ônibus que foi incendiado na rua Ururaí, domingo passado, depois que a polícia matou dois traficantes da favela conhecida como Mundial.
COMANDANTE RECONHECE DIFICULDADES DE POLICIAR A REGIÃO E APRESENTA O PROJETO DE CRIAÇÃO DO 40º BATALHÃO (CEASA)
O comandante do 9º BPM iníciou o debate falando sobre a dificuldade de reduzir o índice de violência na região. O 9º batalhão é composto de 1.400 homens, e é responsável pelo patrulhamento de 25 bairros, abrangendo cerca de 80Km de área. A circunscrição é grande para o contingente de sua corporação que, em fevereiro, perdeu dois policiais em troca de tiros com bandidos: um no morro do Chapadão e, o segundo, em Oswaldo Cruz.
Batalha apresentou à comunidade o croqui de um projeto que ainda está no papel (reprodução acima): a criação do 40º batalhão, que será construído dentro do Ceasa, em Irajá. Esse novo batalhão ajudaria a suprir a demanda de policiamento para dar mais segurança à população. “A polícia tem uma parcela de culpa pela violência que atinge a sociedade, mas vale lembrar que a sociedade é formada pelas nossas famílias e, por isso, também precisamos cooperar”, pediu o comandante.
O coronel Batalha frisou que o problema da violência não pode ser combatido apenas pela polícia, mas, também, com a educação. “Não é só com polícia que vamos resolver esse problema, isso tem a ver com educação, que deve vir de casa e ser aplicada no dia-a-dia”. O vereador Reimont concordou sobre a importância da educação. “Para que a segurança pública e qualquer outro setor possa evoluir é necessário que se invista rigorosamente na educação”, defendeu.
Moradora e integrante da comunidade da Igreja de Santa Luzia, Lucineide Andrade da Silva reivindicou providências imediatas. “Queremos segurança agora, não para depois, quando a casa cair”, cobrou do coronel Batalha. Já a dona-de-casa Eliete Cesário, 66 anos, que mora em Honório Gurgel desde que nasceu – não demonstrou o mesmo otimismo: “Não acredito que alguma providência será tomada aqui no bairro e nem nas adjacências, eles prometem que vão fazer algo e nunca fazem, eu não acredito mais”, afirmou, desanimada.
Batalha encerrou o debate convidando a todos para o café da manhã comunitário, que acontece toda primeira segunda-feira de cada mês no 9º BPM, onde a comunidade pode discutir sobre os problemas que acontecem na região.
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