Jovens da Zona Norte vivem os bastidores da notícia ao lado de estudantes de jornalismo da Estácio de Sá de Madureira
Por Andrezza Henriques (7º período), Marcos Benjamin (5º período) e Robson Rodrigues (5º período) / Fotos: Efraim Fernandes
Quem já viu o programa Profissão Repórter, da Rede Globo, apresentado pelo jornalista Caco Barcelos, percebe como é complicada a saga dos jovens aprendizes de repórteres nos bastidores da notícia. Em Madureira, adolescentes das zonas Norte e Oeste da cidade vivenciam experiência semelhante: são integrantes do Projeto Repórter Comunitário. Desenvolvido pelo curso de Comunicação Social da Universidade Estácio de Sá, a iniciativa tem como objetivo promover inclusão social e digital, além de dar capacitação técnica e despertar a aptidão profissional nos adolescentes. O projeto teve início em setembro do ano passado e já formou 3 turmas com cerca de 80 alunos em módulos de Mídia Impressa, Rádio e TV.
Devido a grande procura, o projeto ganhou nova dimensão, mudou de formato e foi ampliado. Agora, os jovens participam de grupos de reportagens reais para a Agência de Notícias Zunido, do laboratório de Mídia Impressa. O trabalho é desenvolvido sob orientação acadêmica e com monitoria de estudantes de jornalismo. Para isso, foi criado o Núcleo Repórter Comunitário, que passou a funcionar nas instalações do Núcleo Prático de Comunicação (Nucom), no 3º piso do Madureira Shopping. A participação é gratuita, basta ter entre 12 e 18 anos e estar cursando o ensino fundamental ou médio.
EDITORIAL
PROF. RICARDO FRANÇA (COORDENADOR JORNALISMO NUCOM MADUREIRA)
Com apenas três semanas de vida, o nosso Jiló Press encarou um grande desafio. Neste Carnaval, fizemos a primeira cobertura em tempo (quase) real: o resultado dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, na tarde desta quarta-feira de Cinzas (25/02), com foco nas escolas do bairro onde o campus está inserido: Império Serrano e Portela. De uma ponta, estava eu, ‘ligado’ em um computador, em Vaz Lobo, e, na outra ponta da região, a estagiária recém contratada da Mídia Impressa, Andrezza Henriques (6º período), também de olho na TV e na tela do seu computador, em sua casa, em Bento Ribeiro.
A nossa base de imagens foi o banco de fotografias da assessoria de imprensa da RioTur, disponibilizado na internet - além das fotos da Portela, que havia feito na passarela do samba. A cada fechamento de quesito, lá estava a postagem no Jiló. Devido a complicações na internet, as inserções das notas atrasaram um pouco. Mas, cerca de 20 minutos após o resultado no Sambódromo, a cobertura completa já estava na web, podendo ser acessada pelos moradores da Zona Norte, web-leitores do Jiló Press.
O blog, a partir daí, começou a bombar. Até 23h foram cerca de 180 acessos de computadores diferentes, segundo a estatística no contador do veículo. Ontem, aliás, tivemos a primeira participação de um aluno de outra disciplina, além de Técnicas de Reportagem: REDAÇÃO IV, do professor Fernando Torres: interdisciplinaridade! Também publicamos furos, como o da aluna Débora Fernandes (3º período), que registrou o socorro a uma vítima de atropelamento em Madureira. Temos o poder da onipresença. Prova de que os nossos alunos-repórteres já estão entrando no clima de serem repórteres 24h/dia: já saem com suas maquininhas digitais pelas ruas da Zona Norte, a espera da notícia, que não tem hora nem lugar para acontecer. Fatos que interferem no cotidiano de gente comum, mas que, muitas vezes, são suprimidos dos parcos espaços dos chamados jornalões. O nome do nosso trabalho quando fazemos isso? Jornalismo comunitário.
INTEGRAÇÃO – Todo o processo de trabalho no desenvolvimento do projeto Jiló, é vitamina acadêmica. Desvendo a metáfora: a construção do veículo, seus erros e acertos, servem para elaboração artigos, teses, monografias, seminários. O Jiló – instrumento laboratorial - inova por usar todas as possibilidades das sinergias midiáticas na construção da notícia, tendo como rede de sustentação alunos de diversas disciplinas, de períodos diferentes, de turnos diferentes. E de laboratórios integrados: Mídia Impressa & Sapiens; Mídia Impressa & TV Estácio; Mídia Impressa & TV Jiló; Mídia Impressa & Fotografia; Mídia Impressa & Rádio...
As iniciativas e os esforços deixam de ser estanques e isolados para atuar com foco unificado - sob uma mesma linha editorial, respeitando as singularidades de cada disciplina - e, acima de tudo, em sinergia.
O Jiló não integra somente disciplinas, estudantes, laboratórios. Os professores são participantes ativos (ou participativos!): não ficamos apenas sob a marquise do olhar vigilante da supervisão: somos pauteiros, editores, repórteres, cinegrafistas. Nos igualamos aos alunos na produção do conteúdo, discutimos resultados, avaliamos, nos aperfeiçoamos. Voltamos ao nível de aprendizes do processo, da tecnologia e da criatividade. Nos libertamos das amarras da teoria em nome do experimento. Desta forma, atuamos em conjunto na construção de um veículo próprio, gerando conteúdo exclusivo e interativo: texto, foto e imagem (vídeo), produzidos por estacianos.
Nada de "gillette press", também chamado de “Control C + Control V”, que virou prática no mercado de trabalho: coisa feia que nada mais é do que apropriação indébita do trabalho dos outros. Em outras palavras: roubo mesmo. De propriedade intelectual. Plágio.
COMUNIDADE - O nosso Jiló tem outra vertente: um link comunitário sem precedentes. Temos o engajamento efetivo de estudantes, que são moradores dos bairros da Zona Norte. Por isso, a divulgação do blog se dá em escala exponencial, através de uma rede qualitativa de informação. Os alunos são catalisadores críticos dos fatos esportivos, sociais, culturais, políticos e econômicos da região. O Jiló tem capilaridade e alcança territórios que jornais de bairro ou editorias de Cidade não alcançam. Mas ainda estamos no começo. Afinal, são apenas três semanas de vida.
TECNOLOGIA – No tempo em que a Universidade usa a tecnologia para abrir novos mercados e levar a educação em contextos extra-salas de aula, com o uso, por exemplo, das aulas virtuais e telepresenciais, o nosso laboratório de Mídia Impressa, com o Jiló, trabalha com essa possibilidade na prática, diariamente. As matérias e fotografias chegam via internet, vem de longe, diretamente para o blog: seja da casa do aluno-repórter; de uma lan house; de fora da cidade. São produzidas e editadas do ambiente de trabalho do estudante e/ou do professor, a qualquer hora: de manhã, de noite, de madrugada. Temos o repórter correspondente, o enviado especial. Não é necessário que o aluno esteja presente fisicamente no laboratório do Nucom para postar o seu texto. Ele ganha tempo, agilidade, ele ganha experiência em novas tecnologias, ele ganha horas AAC.
PROJETO MODELO – O projeto JILÓ PRESS é um modelo de jornalismo laboratorial produzido e gerenciado de forma coletiva, que reúne todas as possibilidades e potencialidades proporcionadas pelo jornalismo universitário e comunitário. Antes dele, ações semelhantes surgiram e foram esquecidas, ou não trabalharam com todas essas vertentes. E nunca nessa escala. Esse modelo pode ser exportado para outras praças (Nucons): Jiló Press Niterói, Jiló Press Barra da Tijuca, Jiló Press Nova Friburgo, Jiló Press Petrópolis, Jiló Press Fortaleza, Jiló Press Espírito Santo, formando uma rede local, regional e nacional. A REDE JILÓ PRESS DE COMUNICAÇÃO DA ESTÁCIO. Onde existir curso de Comunicação Social, o Jiló estará ativo.
O Jiló Press é operacional, viável, barato.
O Jiló Press é atual. Está no foco do mercado de trabalho e ajuda a formar/capacitar profissionais com perfil multimídia.
O Jiló só tem a crescer com a continuidade do segundo módulo do Projeto Repórter Comunitário, sob a coordenação do professor Marcelo Sosinho. Aí sim, ganharemos um braço importante: moradores e jovens do Ensino Médio, fazendo Jornalismo Cidadão. Os alunos da comunidade que participaram do primeiro módulo já foram contactados. O satélite já está em órbita. Mas não se iludam. Temos muito trabalho pela frente.
Jiló Press, assim como o jornal mural DAZIBAO, é mais um produto comunicacional da Agência de Notícias Zunido, criada por estudantes colaboradores da Mídia Impressa de Madureira. Jiló Press significa: Jornalismo / Interativo / Laboratorial / Otimizado!
Prof. Ricardo França
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
NÚCLEO PRÁTICO DE COMUNICAÇÃO
MÍDIA IMPRESSA - RÁDIO ESTAÇÃO
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS ZUNIDO
EDITOR-CHEFE JILÓ PRESS
DA REDAÇÃO JILÓ PRESS / Foto Ricardo França
A agência Sapiens de Madureira, laboratório do curso de Comunicação Social, habilitação em Publicidade e Propaganda, é a nova parceira do JILÓ PRESS. O laboratório ganhou uma conta de administrador do blog e vai postar, periodicamente, novidades de seus projetos na coluna que tem o sugestivo nome de JILÓ A PREÇO DE BANANA! Um achado da criatividade! A parceria abre espaço, também, para anúncios de lojas e empresas da região que tem como foco a comunidade de Madureira e bairros vizinhos - web-leitores do JILÓ. A união segue uma das premissas do projeto do blog JILÓ PRESS, que é desenvolver ações integradas com os laboratórios do campus, de TV, publicidade e a rádio, concretizando uma sinergia pedagógica multimídia.
Localizada ao lado da Mídia Impressa, no segundo andar do Núcleo Prático de Comunicação - Nucom, no 3º piso do Madureira Shopping, a agência é coordenada pelo professor Paulo Ribeiro (foto), docente veterano que já exerceu vários cargos importantes na estrutura do curso, a exemplo de coordenador de publicidade do campus Nova Friburgo; coordenador da Sapiens de Niterói e primeiro coordenador do curso de Comunicação de Madureira. Seu último cargo foi o de coordenador-adjunto de Comunicação Social, ao lado do professor Hugo Santos, que foi promovido ano passado a diretor nacional de Comunicação Social.
É, gente, o cara tem história... Paulo e sua equipe ganharam recentemente a conta da CEG e estão desenvolvendo diversos projetos para este ano. A agência Sapiens de Madureira sempre foi parceira da Mídia Impressa e vice-versa. Os dois laboratórios já realizaram diversas ações em conjunto. A mais famosa é a Semana de Comunicação de Madureira. No JIlÓ, a Sapiens estará postando as novidades da agência aqui na Zona Norte, segindo a linha editorial do veículo, que foca Madureira e região. Sucesso para vocês da Sapiens!
