por Marcos Benjamin
Definitivamente o Brasil não soube aproveitar a "era Guga". Uma "era" que teve seu fim exatamente às 12h47 deste domingo, dia 25 de maio de 2008. Mesmo prevendo a derrota na primeira partida do torneio, o tricampeão do Grand Slam francês entrou em quadra ovacionado pela torcida e trajando o uniforme azul e amarelo - réplica do que usou no título de 1997, o primeiro da carreira. O brasileiro se despediu com a derrota para o talentoso francês Paul-Henri Mathieu por 3 sets a 0, com parciais de 6/3, 6/4 e 6/2 em 1h49. Soma-se ao currículo francês de Guga, 11 partcipações na competição, vencendo 36 partidas e apenas sendo derrotado em oito. Ele obteve um índice de mais de 80% no Grand Slam parisiense, sem contar que os anos de 2006 e 2007 o Manezinho não disputou a competição.
Já os números finais da carreira vitoriosa de Gustavo Kuerten impressionam. O catarinense soma em sua vitoriosa trajetória com praticamente 70% de vitórias no saibro (181 em 259 jogos), 68,4% em torneios do Grand Slam (65 em 95) e 64,7% em jogos ao longo da carreira (358 em 553). Ainda ganhou 17 das 29 vezes em que foi levado ao quinto set, incluindo-se aí a histórica virada sobre Michael Russell nas oitavas-de-final de 2001, até hoje o momento que ele próprio considera a partida mais emocionante de sua carreira. Seu único recorde negativo foram nos tiebreaks, em que ganhou 134 e perdeu 136.
O povo brasileiro e, em especial o Francês estiveram com Guga sempre. A único fato a lamentar é, e repito: o esporte brasileiro não soube aproveitar a "era Guga" da maneira que ela(ou ele) mais merecia, com paixão e dedicação!
Por Fernando Torres (texto e foto)
“Sonho em encerrar a carreira no...” é um início de frase comum no glossário boleiro neste início de século. Basta colocar a mãozinha para fora do cercadinho. Dá um tapa no clube formador aos 17 anos, ainda bebê na escala de vida, e promete fidelidade eterna. Pura conversa fiada. Os empresários, assessores e o atleta ganham milhões, mas o torcedor fica na mão, acreditando nas juras de amor despejadas em um tom alegre e mentiroso. “O que vou falar? Vou ficar milionário e vocês ficam na furada? Preciso dizer que amo a camisa e prometer uma volta, mesmo que improvável”, ressalta o novo rico à própria consciência. “Quando será este retorno?”, perguntam os torcedores. “Quando ele ficar velho, correr pouco e ninguém mais o quiser”, responde o dirigente.
As discutidas negociações entre Edmundo e Vasco, Dodô e Fluminense, Ronaldo e Flamengo, Gallardo e Altético-MG, entre outras, são bravatas de maus administradores e aproveitadores da carência das torcidas apaixonadas. Voltam os cansados, enquanto vão embora, no fervor da forma, Alexandre Pato, Kaká, Juninho Pernambucano, Fred, Luís Fabiano, Júlio César, Cicinho, Breno. Outros estão a caminho. Morais, Renato Augusto, Alex Teixeira e Thiago Silva são alguns deles. O Futebol brasileiro vende o embrião, empregando mal este dinheiro, na maioria das vezes, e compra a carne passada, a pelanca rejeitada pelos grandes compradores.
Há, como em toda regra, exceções para este cenário. Não. O exemplo não é Adriano. O Imperador só ficou no São Paulo para uma rápida recuperação da auto-estima. Abre mão da farra, marca gols importantes e, na gíria das ruas, “mete o pé e vaza pra Zoropa”. O caso raro é o argentino Riquelme. Atuou pela Barcelona, sem sucesso, levou o modesto Villarreal ao cenário mundial com bons resultados no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões da Europa e... foi para Milan ou Real Madri? Nada disso. Voltou ao Boca Juniors valorizado e com vaga cativa na Seleção Argentina, atual líder do ranking da Fifa. Ganhou a Copa Libertadores de 2007, passou breve temporada na Espanha e retornou a La Bombonera. Está no melhor momento da carreira e atua pelo clube do coração. Situação presente apenas nos sonhos dos fanáticos brasileiros.
Seguem, abaixo, os vídeos das torcidas dos times que ainda disputam a Copa Libertadores 2008.
FLUMINENSE
SÃO PAULO
LIGA DEPORTIVA UNIVERSITÁRIA / LDU (EQUADOR)
SAN LORENZO (ARGENTINA)
AMÉRICA (MÉXICO)
SANTOS
BOCA JUNIORS (ARGENTINA)
ATLAS (MÉXICO)

Por Fernando Torres (texto e foto)
Os números, desta vez, são mais importantes do que as opiniões.
De 1960 a 2007, a Copa Libertadores da América teve 48 edições. O Boca Juniors (ARG) tem 21 participações, jogou nove finais e faturou seis títulos: 2007, 2003, 2001, 2000, 1978, 1977. Eliminou brasileiros em todas as campanhas vitoriosas.
2007 – Derrotou o Grêmio (RS), na final, com vitórias por 3 x 0 e 2 x 0.
2003 – Derrotou o Paysandu (PA), nas oitavas-de-finais, com 0 x 1 e 4 x 2, e o Santos (RS), na final, com 2 x 0 e 3 x 1.
2001 – Derrotou o Vasco (RJ), nas quartas-de-finais, com 1 x 0 e 3 x 0, e o Palmeiras (SP), nas semifinais, com 2 x 2, 2 x 2 e 3 x 2, nos pênaltis.
2000 – Derrotou o Palmeiras (SP), na final, com 2 x 2, 0 x 0 e 4 x 2, nos pênaltis.
1978 – Derrotou o Atlético (MG), nas semifinais, com 2 x 1 e 3 x 1.
1977 – Derrotou o Cruzeiro (MG), na final, com 1 x 0, 0 x 1, 0 x 0 e 5 x 4, nos pênaltis.
Os clubes brasileiros ganharam 13 vezes a Copa Libertadores. O Boca Juniors só participou de duas destas edições. Em 2005, o São Paulo conquistou a competição e o Boca foi eliminado pelo Chivas Guadalajara (MEX), nas quartas-de-finais, com 0 x 4 e 0 x 0. Em 1963, o Santos de Pelé foi campeão sobre os hermanos com duas vitórias nas finais por 3 x 2 e 2 x 1.
Este ano, a equipe de Buenos Aires perdeu La Bombonera devido a um objeto lançado na testa do quarto árbitro, na partida contra o Cruzeiro, nas oitavas-de-finais. Mandará seus jogos no José Amalfitani, estádio do Vélez Sársfield. Pode ser uma vantagem para as pretensões de Fluminense, São Paulo e Santos, mas não é garantia de nada. Os mineiros precisavam de uma vitória por 1 a 0, no Mineirão, perderam por 2 a 1 e foram eliminados. Mais um brasileiro na lista dos boquenses...
Milhares de pessoas em silêncio. A revolta gritava, mas o som insistia em ficar preso no vácuo da garganta rubro-negra. Centenas de carros emparelhados formavam a maior carreata fúnebre do Rio de Janeiro, no século XXI.
O tráfego parecia não incomodar os motoristas. Nada de buzinas. Acelerações brandas ditavam o melancólico ritmo do trânsito tijucano. Os longos metros da Rua São Francisco Xavier serviam para alongar a reflexão quanto ao holocausto ocorrido minutos antes. Das arquibancadas e cadeiras do Maracanã partia o cortejo a entrar pelas ruas Isidro de Figueiredo e Jaceguai.
A Praça Varnhagem não enxergava comemorações. Só o lamento cresceu de seus canteiros. A tragédia de 58 anos atrás inspirou os adversários. Saem os uruguaios e festejam os mexicanos. Em 1950, chorou o país. Ontem, derramou-se uma de suas nações. A mais numerosa delas. Tão grande quanto o desastre.
Saio a comprar algo para comer e beber. A meia-noite já é passado. Os bares estão fechados. Somente na loja de conveniência de um posto de gasolina, na esquina da Avenida Maracanã com a São Francisco Xavier, ouço discussões acaloradas o bastante para suscitar olhares.
Em quatro dias, a torre Souza se transformou em pó-de-mico. Joel foi de papai a madrasta. Obina? O Xodó, agora, é bonde. Juan era rápido e habilidoso. Nos protestos à beira do caixa, é despreparado e imprudente. Até o chororô ganhou novas faces. A muralha Bruno precisará do apoio de Diguinho e Túlio. O lenço será compartilhado.
Os times vestem camisas distintas. Neste gramado das lamentações, em uma hora berra o Botafogo. Noutra, o América do México. Nestas últimas, o Flamengo. A mistura de idiomas revela a importância da vitória. E da derrota. O tombo foi grande. Machucou, calou e superou os autodenominados insuperáveis.
Imagem: Montagem de Fernando Torres com fotos de Club América do México e Notimex
Depois de ter feito a melhor campanha da primeira fase da Libertadores, o Fluminense visivelmente vem caindo de produção na principal competição sul-americana. A péssima atuação da equipe ontem no Maracanã diante do frágil Atlético Nacional, deixou o torcedor tricolor preocupado.
O jejum de gols de Washington, já são sete jogos sem balançar as redes, a inoperância de Thiago Neves, a falta de ritmo de jogo de Dodô, a insegurança de Fernando Henrique são fatores que estão contribuindo com a queda de produção do time tricolor. Mas existe algo estranho no reino do Laranjal. Desde o jogo ante o Vasco nas semi-finais da Taça Rio, que o Flu não vem bem. O que dizer sobre as duas alterações equivocadas de Renato Gaúcho em Meddelín, quando o treinador sacou Conca e Thiago Neves para colocar Maurício e Roger com o jogo nas mãos?
Somos humanos, todos tem o direito de errar. Ontem no Maracanã percebi a torcida do Fluminense irritada, impaciente, apesar de mesmo quando surgiam as vaias a outra parte da torcida tentava empurrar o time. Talvez a torcida tenha se acostumado com o show diante do Arsenal e esteja muito exigente. Ou talvez por não entender que vitória de 1 x 0 na Libertadores é goleada. Talvez seja um misto de tudo isso, mas o que não pode deixar de ser salientado é: O time não está bem e isso, preocupa e essa palavra, o talvez, está muito proferida entre o tricolores. Talvez seja a hora de unir forças, mesmo jogando mal. Talvez, quem sabe...
Antes que me esqueça: Palmas para o Roger, 100 jogos com a camisa Tricolor e sinônimo de dedicação, profissionalismo e amor ao clube. Merecidamente o melhor do jogo de ontem selado com o gol da vitória! Esse merecidamente não tem talvez!
Nome: Manuel de Brito Filho (Obina)
Data de nascimento: 31/01/1983
Local de nascimento: Vera Cruz (BA)
Altura: 1,83m
Clubes
2001: Vitória (BA)
Títulos
Campeonato Baiano: 2004
A vitória rubro-negra de 1 x 0 no primeiro jogo da decisão sobre o Botafogo, foi o resultado da ousadia do técnico "sul-africano" Joel Santana sobre o inteligente Cuca.
Em um jogo muito aquém das expectativas tecnicamente, o treinador rubro-negro ousou mais e seus comandados criaram maiores chances de gols dos que os alvinegros. Tá certo vai, o Botafogo estava sem quatro jogadores importantes (Castilho, Alessandro, Triguinho e Jorge Henrique), mas o Flamengo não tinha nada haver com isso e também não contou com Renato Augusto, talvez o mais habilidoso do time.
Enquanto o treinador alvinegro olhava para o banco e não via lá tantas opções. Joel tinha mais munição. Diego Tardelli e Obina(esse aí, um ser iluminado demais!!!) entraram e mudaram o jogo. Outro fator determinante para o triunfo rubro-negro, foi a recuada estratégica de Marcinho para direita e Tardelli para esquerda (como pontas-de-lança), deixando Souza e Obina enfiados na área, diga-se de passagem uma obra do Natalino que foi treinada demais durante a semana. A ousadia de Joel foi brilhante, além de abrir Tardelli e Marcinho nas pontas, segurou mais as duas principais referências ofensivas: Juan e Léo Moura. Com isso, o Flamengo não só foi muito mais perigoso no ataque, como também mostrou-se um time equilibrado atrás. Nem mesmo as jogadas de bola paradas(ensaiadas) do Botafogo surtiram efeito. Wellington Paulista foi anulado e Lúcio Flavio neutralizado.
Coube a Cuca a se desdobrar. Usou mais um zagueiro como Edson para fechar o time. Diguinho e Leandro Guerreiro tentavam em vão, neutralizar as puxadas em velocidade de Marcinho para o ataque. O jovem goleiro Renan mostrou-se mais seguro depois da estréia nervosa na última quarta-feira,.com pelo menos duas defesas importantes, foi um dos destaques senão "o destaque" do Botafogo no jogo.
A vantagem agora é Flamenguista. Domingo tem o último capítulo do campeonato. Só que antes, O Flamengo vai ao México jogar contra o América na quarta pela Libertadores, jogo que será o termômetro para seu sucesso no Carioca. Um resultado bom, deixará o clube na boa, apesar do cansaço da viagem.
É esperar para ver!


