Sem sufoco, Fluminense é o melhor das Américas

por Fernando Torres

Na noite de ontem, 20.669 torcedores assistiram ao Fluminense bater a Liga Deportiva Universitária (LDU), do Equador, por 1 a 0, no Maracanã. O eficiente atacante/meia/volante/ala Cícero marcou o gol da vitória, aos 33 minutos do primeiro tempo. Com 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota o clube somou 13 pontos e tem a melhor campanha da primeira fase da Copa Libertadores. Agora, as atenções se viram para o Botafogo, adversário do próximo domingo, na final da Taça Rio, 2° turno do Campeonato Carioca.

Sem Thiago Neves, suspenso, e Washington, poupado, o Flu não foi ameaçado pelo mistão frio da LDU. A equipe do técnico Edgardo Bauza passou do meio-campo, pela primeira vez, somente aos 10 minutos de jogo. Já o tricolor alugou o gramado adversário, principalmente, com Júnior César, o melhor da partida, Conca e o Tartá.

A LDU assustou aos 21 minutos, quando Larrea invadiu a área e chutou com perigo à esquerda de Fernando Henrique. Após três boas jogadas, Júnior César cruzou alto, mas Cícero superou Calle e sacudiu as redes de Viteri: 1 a 0. Aos 36, Conca, cada dia mais eficiente, tabelou rápido com David e mandou por cima do travessão.

O Fluminense começou a 2ª etapa como terminou a 1ª: dono da situação. Graças ao goleiro Viteri o placar magro acabou como um prêmio à LDU. Renato, irritado com os erros de passe, tirou David e colocou Maurício. Em seguida, surpreendeu ao trocar Tartá por Romeu, recuando o esquadrão das Laranjeiras. O Gaúcho só não causou maior surpresa do que o atleta mais questionado do ótimo elenco do Flu. Ygor fez linda jogada, driblou dois adversários e chutou rasteiro. Viteri desviou para escanteio e evitou o “milagre”.

Sem receber uma real ameaça, Renato tirou Conca e colocou Roger em campo. Nos últimos minutos, a LDU se animou pela ausência de poder ofensivo do tricolor e resolveu correr. Aos 45, Thiago Silva derrubou Salas, na entrada da área e recebeu cartão amarelo. Calle cobrou na barreira e matou a já fraca reação equatoriana. Para o Flu é fim de papo, na primeira fase da Libertadores. O time já marcou o nome no salão nobre ao conseguir a classificação inédita e a torcida pode sonhar com o título mais importante da história do Fluminense. O pavilhão das três cores tem condições de dominar a América.

Cuca e Renato duelam mais uma vez

por Fernando Torres

Logo em sua estréia à frente do Botafogo, no dia 25 de maio de 2006, Cuca sapecou 4 a 1 no Vasco treinado por Renato Gaúcho. Desde esta data, os colegas de trabalho se enfrentaram oito vezes. São cinco vitórias de Alexis Stival, dois empates e um triunfo de Renato Portaluppi. No próximo domingo, eles vão estar, novamente, em lados opostos, na decisão da Taça Rio. Quem vencer terá pela frente Joel Santana e seu Flamengo, na grande final do Campeonato Carioca 2008.

Renato, nascido no dia 9 de setembro de 1962, em Guaporé, está, agora, no Fluminense, clube pelo qual conquistou seu primeiro título como treinador: a Copa do Brasil de 2007. Disputa a Libertadores e quer levar o tricolor carioca ao Japão. Já fez isto com o Grêmio, em 1983, dentro das quatro linhas. Fora delas ainda precisa caminhar para driblar a desconfiança.

Cuca, paranaense de Curitiba, completa 45 anos em 7 de junho e corre atrás da afirmação na carreira. Os críticos o reconhecem como um dos melhores do Brasil. Seu Botafogo, sempre ofensivo, joga o fino da bola. Porém, falta o título para completar o ciclo de dois anos com a estrela solitária no peito. Este período teve uma pequena interrupção, no ano passado, quando ele chutou o balde após ser eliminado da Copa Sulamericana pelo River Plate. Mário Sérgio só limpou a sujeira e devolveu a vassoura.

Stival tem mais conhecimento tático, enquanto Portaluppi conta com melhor elenco, apesar da ausência de Dodô. Wellington Paulista está em grande fase, mas Thiago Silva também. Acredito no talento de Lúcio Flávio e Thiago Neves. Jorge Henrique e Conca são ótimos coadjuvantes e podem decidir.

Confira o retrospecto do duelo Cuca x Renato Gaúcho:

25/05/2006 – Botafogo 4 x 1 Vasco (Brasileirão)
24/09/2006 – Vasco 0 x 0 Botafogo (Brasileirão)
01/04/2007 – Botafogo 2 x 0 Vasco (Carioca)
11/04/2007 – Botafogo 4 x 4 Vasco – 4 x 1, nos pênaltis (Carioca)
30/06/2007 – Fluminense 1 x 2 Botafogo (Brasileirão)
23/09/2007 – Botafogo 0 x 2 Fluminense (Brasileirão)
16/02/2008 – Botafogo 2 x 0 Fluminense (Carioca)
30/03/2008 – Botafogo 3 x 1 Fluminense (Carioca)

Resultado: 5 vitórias de Cuca, 2 empates e 1 vitória de Renato.

Para você quem é melhor??? Comente!!!!!!!!!!!

Clássico Vovô: 102 anos de história

É o clássico mais antigo do futebol do Rio de Janeiro. E mais uma vez, Fluminense e Botafogo decidirão um título. No geral, foram 317 partidas, com 117 vitórias do Fluminense e 106 do Botafogo - ocorreram ainda 95 empates. No quesito gols marcados, o Tricolor também leva vantagem: fez 511 gols e sofreu 474. Clássicos históricos, confrontos que deixam torcedores ávidos pra chegar o dia desse jogão. Atualmente, o Glorioso leva vantagem, pois o seu conjunto é melhor, jogo um coletivo impecável, mostra um futebol de jogadas ensaiadas, um time bem treinado, além de ter o artilheiro do campeonato, Wellington Paulista com 14 gols.

Já o Flu, tem em seus talentos no elenco a esperança de aprresentar o futebol vistoso de outrora. Os três tenores já não estão mais em três e sim em um, esse rouco (diga-se manco), Washington ainda se recupera da torção no tornozelo ante o Madureira. Dodô e Leandro Amaral fora de combate. A esperança recaí sobre os Thiagos. O Neves é aprendiz de craque, porém ainda imaturo. Tem em sua habilidosa perna esquerda uma chute forte e preciso e passes preciosos, jogador de seleção. E o Silva que já tem estandarte com o número da sua camisa na torcida e, é
ídolo dos tricolores.

Sorte lançada. Quem levará a melhor?

Um final de semana mágico

Façam suas apostas. Estão abertos os palpites. Semi-finais da Taça Rio e Semi-finais do Paulistão.

No Rio: Vasco x Fluminense, sábado 18:30h. Jogão!
Vasco vai completo com o garoto Pablo de 19 anos na lateral-esquerda. Se mostrar a mesma personalidade que vem mostrando nas entrevistas, promete dar um caldo!

No Flu, a dúvida é Washington, o centroavante se recupera de forma surpreendente da torção do tornozelo e pode aparecer no comando de ataque tricolor. Reforço de peso, se jogar!

Palpitão deste humilde blogueiro: 3 x 2 - Fluminense.

Sábado em São Paulo, tem duelo de forças no interior: Ponte Preta x Guaratinguetá, jogo díficil de dar palpite, mas por jogar em casa e ter derrotado o Guará(3 x 0) fora durante a fase de classificação, dá Ponte: 1 x 0.

No domingo, a chapa esquenta de vez!

Botafogo x Flamengo às 16h, prometem mais um jogão. Com o Fla de moral alta após a belíssima vitória na altitude pela Libertadores e o Botafogo classificado às oitavas-de-final da Copa do Brasil, o duelo promete ferver, principalmente depois dos últimos duelos entre os clubes, recheados de pimenta e muita provocação.

Palpitão: 2 x 2 - Botafogo nos penâltis, mera intuição.

Já em Sampa, tem São Paulo x Palmeiras também às 16h. Tirando toda chatice da briga de bastidores no São Paulo entre Carlos Alberto e Fábio Santos e a briga entre os dois clubes sobre onde será o último jogo da semi-final - ficou decidido que será no Parque Antártica - dá São Paulo: 2 x 1!

Mesmo vendo o Palmeiras melhor psicologicamente, taticamente e técnicamente, considero este jogo como chave para os tricolores. Com toda união de forças o São Paulo leva.

Façam suas apostas. Quem dá mais?

Tradição x Acomodação

Em Cuzco, com altitude, pressão e tudo mais, o Flamengo jogou com facilidade e goleou. 3 x 0 sobre o Cienciano.

Em Buenos Aires, o Fluminense sem tradição nenhuma em Libertadores achou que poderia vencer os reservas do Arsenal, isso mesmo, aquele time que levou uma sapecada aqui de 6. Resultado 2 x 0 para o Arsenal.

Toró, Ibson e Juan pareciam que jogavam no Maracanã, corriam com facilidade.

Ygor(nossa!), Gabriel e Thiago Neves corriam atrás da bola e sempre estavam sem ela.
Antes o Fla, temia uma eliminação precoce ainda na primeira fase. Hoje está classificado com sobras.

Já o Flu já classificado, porém acomodado, está com sinal de alerta ligado. Na segunda fase tem de entrar ligado. Pois será a na tradição na competição poderá ser determinante em uma futura eliminação.

No Fla a concentração é total.

No Flu a perda dela acendeu a luz amarela. Thiago Neves mais uma vez mostrou-se imaturo. Foi expulso infantilmente.

A zona ofensiva do Flamengo mostrou-se mortal com Léo Moura, Juan, Ibson, Souza e Renato Augusto.

No Fluminense, os três tenores assistem de camarote a falta de gols sem a presença deles em campo.

Mais uma vez a tradição e o peso da camisa pesaram na Libertadores. Fla nas alturas. Flu estagnado e acomodado. Ressalva para classificação de ambos!

Enquanto isso na Vila Belmiro...

Salve o Cienciano!!!

Montagem com foto do jornal La República

por Fernando Torres

O Cienciano merece golear o Flamengo, no jogo desta noite, para vingar uma injustiça histórica. Analisadas as devidas proporções, os rubro-negros devem pagar pelo preconceito colonizador aplicado sobre os peruanos. No século XVI, os espanhóis massacraram cerca de 20 mil incas. Em 2008, os flamenguistas fizeram o mesmo com 28 milhões de peruanos. Os europeus mataram as pessoas. Os cariocas destruíram o orgulho, a alma.

“Peruanos não querem atuar em cidade quente e abafada” poderia ser a manchete traduzida do jornal “La República”. Absurdo? Tanto quanto defender a proibição de jogos na altitude. Cuzco está lá no alto: 3.400 metros de altitude. Nasceu, cresceu e vive lá no alto. O Cienciano não construiu o estádio “Garcilaso de la Veja” somente para enfrentar o Flamengo. A iniciativa dos rubro-negros de buscarem junto à Fifa uma medida impedindo a realização da partida na cidade não feriu só o clube. Atingiu um povo bravo e resistente à intolerância.

Simon Bolívar livrou o Peru das garras predatórias. El Libertador salvou, Che Guevara se apaixonou e o Flamengo esnobou. Os povos andinos lutam para viver sob circunstâncias difíceis. O alimento não é farto, a água é rara e o ar também. Uma cidade torce por seu clube na altitude, grita por seu clube na altitude e o Mengo não pode jogar na altitude? Se o Capitão Nascimento fosse representante a Confederação Sulamericana, perguntaria: “Márcio Braga, os argentinos, uruguaios e chilenos jogam lá. Dezenas de clubes sediados pertinho do mar também atuam lá. O senhor está com nojinho e não quer suas bonecas passando sufoco?

”O Flamengo não deve temer os metros, mas os métodos utilizados por seus jogadores para se livrarem da pressão. Montevidéu, no Uruguai, está no mesmo nível do Everest? Então, por que Léo Moura deu uma voadora no jogador do Nacional e Toró estapeou o gandula? O Fla sabe o que é completar 100 anos? Sim. Por isso, deveria, além de aceitar as condições climáticas, respeitar o Club Sportivo Cienciano, fundado em 1901, originalmente, como o time da área de ciências da Universidade de Cuzco. Tem dois títulos nacionais peruanos: o Clausura (2001) e o Apertura (2005). Em 2003, tinha nove jogadores em campo e fez 1 a 0 sobre o River Plate, da Argentina, conquistando o título da Copa Sul-Americana. Um ano depois, superou o hermano Boca Juniors, nos pênaltis, e papou a Recopa Sul-americana.

A “Fúria Roja” está preparando a festa pela vitória. Há mais de 400 anos, os peruanos caíram. Hoje, mesmo com um time tecnicamente inferior, vão ressurgir com o apoio dos deuses incas. As bravas almas sairão de Machu Picchu e fortalecerão cada movimento dos jogadores do Cienciano. Sobrevoarão 112 km, ligando a Cidade Sagrada e o local da partida. A falta de ar é nada para quem carrega o preconceito humilhante. O Flamengo merece o prejuízo financeiro decorrente da eliminação na Copa Libertadores. A maldição com cifrões é a única capaz de fazer doer o ego dos mercenários.

Avante Mengo!

Agora é hora de colocar toda sua história debaixo do braço e mostrar que o Flamengo é maior que altitudes e provocações. O clube joga sua vida hoje na Libertadores. Está entre o céu e o inferno. No céu digamos que já esteja, pois já está mais alto que todos os clubes brasileiros na rodada da competição, a 3.400 metros de altitude. Se ganhar garante a classificação, empatando joga em casa contra o "Bolo" e suas chances são grandes de passar à segunda fase. Porém, caso seja derrotado, o mais querido poderá se complicar e muito. Segundo os cálculos, se o Fla perder pelo placar mínimo(diferença de um gol), terá de vencer por pelo menos quatro gols de diferença o Bolo no Maracanã.

A campanha atual é no entanto irregular. O Flamengo tem sete pontos e ocupa a terceira posição, atrás de Cienciano com o mesmo número de pontos, mas com saldo de um gol a mais e o Nacional que lidera com nove pontos. Caso ocorra uma "tragédia" e o Mengo não passe à segunda fase, ele poderá repetir a campanha pífia de 2002, onde "morreu" na primeira fase.

Para um clube cheio de tradição na competição, essa campanha atual deixa a desejar, só não é pior que a de 2002. Mas os números do Flamengo na Libertadores impressionam. São nove participações na competição internacional (1981/1982/1983/1984/1991/1993/2002/2007 e 2008). 73 jogos no total, com 41 vitórias, 16 empates e 16 derrotas. Foram 141 gols marcados e 82 sofridos. Sendo campeão uma vez, em 1981, com o timaço: Raul, Leandro, Marinho (Figueiredo), Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes (Anselmo) e Lico (Nei Dias). Técnicos: Dino Sani, depois Paulo César Carpegiani. Este time não foi só campeão continental como também conquistou no mesmo ano o maior feito da história que um clube pode alcançar, o título mundial de clubes no Japão.

Vale lembrar também o time que fez a pior campanha do Rubro-negro na história em 2002: Júlio César, Maurinho, Juan (Flávio), Fernando e Athirson; Leandro Ávila (Rocha), Carlinhos (Fabiano), Felipe Melo e Juninho Paulista; Andrezinho (Edmílson, Petkovic) e Roma (Leandro Machado). Técnicos: João Carlos Costa, depois Carlos César Custódio.

Para esse "feito" desastroso não se repetir, Flamengo vai com tudo que lhe cabe de direito. A maior torcida do Brasil, senão a do mundo, com toda essa rica história e tradição para empurrar o time a vencer não só o Cienciano hoje em Cuzco, mas também a altitude e a desconfiança de um futuro desastroso. Avante Mengo!

As Copas de Romário

por Flávio Araújo

Lazaroni não errou. Pelo menos não tanto quanto Telê em 82, que deixou o Dinamite na arquibancada; nem tanto quanto os rancorosos Galinho de Quintino e Velho Lobo (união instável não? Galinho e Lobo?), que não levaram o Baixinho e viram o sonho do penta se esvair em convulsões e “zidanadas”. Lazaroni levou o Baixinho mesmo sem ele ter condições. O povo brasileiro acertou mais ainda em 94, quando impôs o Baixinho e com isso trouxe o caneco, a despeito do despeito do mesmo Lobo velho e teimoso.

Romário deveria ter sido Campeão Mundial Juniores em 1985, foi cortado por indisciplina; poderia estar no time envelhecido de 1986; deu azar e estava machucado em 1990; ganhou a Copa de 94, ganharia a de 1998. Imaginemos a situação hipotética em 1998: escalação do Brasil para a final com a França. Ronaldo passou mal e vai entrar... Romário. Duvido que os comedores de brioches não tremessem.

Romário nunca foi santo, muito menos demônio a não ser para os goleiros. Romário foi o maior atacante de todos os tempos, imbatível na área. Mas Romário, apesar de ter jogado no time da mídia, não foi cria deles. O Galinho sim era bom moço e agradava à massa. Só que quem tem que agradar à massa é molho de macarrão! Romário é único no mundo sem ter chegado ao auge da sua brilhante carreira. Pelé foi ao topo, Garrincha não chegou a ser metade do que poderia ser e Zico, bem, este foi além do possível, construído a disciplina e exercícios.

Romário, ao contrário dos seus inimigos declarados, não perdeu nenhuma copa. Não permitiram a ele nem perder. Quando contaram com ele, o jejum de 24 anos caiu por terra. E não me venham com jogo feio: gols como os contra Camarões, Suécia e Holanda do Baixinho; os de Bebeto contra EUA e Holanda; além da antológica “patada” de Branco com Romário saindo da frente entram em qualquer antologia.

Romário sempre foi mais difícil de engolir que Zagallo, seja para as defesas adversárias, seja para fiscais de comportamento, padres, pastores e afins. Romário fez mais de 1000 gols, como Pelé, e isto é imperdoável pela imprensa provinciana da nossa vizinha paulicéia e para a imprensa rubro-negra de cá, ávida de vender notícias e agradar a maioria, quase tão burra quanto a unanimidade de Nelson Rodrigues. Romário deveria ser, sozinho, cinco vezes campeão do mundo. Pena que nem todos os brasileiros torceram para isso, o futebol agradeceria.

* Jornalista e historiador, Flávio Araújo faz questão de ressaltar que é vascaíno desde antes do tempo em que Romário jogava na preliminar do Maracanã.